A campanha "Bate, Bate Coração" arrancou a 17 de Fevereiro e graças a si está a ser um sucesso.
Pretendemos que este projecto tenha uma intervenção directa na comunidade, ao clarificar os mitos e as verdades sobre as arritmias cardíacas e assim permitir o desenvolvimento de estratégias de prevenção da morte súbita. Esperamos também conseguir incentivar os portugueses a procurar mais informação sobre as arritmias cardíacas e mobilizá-los a participar nas iniciativas da campanha, durante os próximos meses.
Das diversas iniciativas da campanha destacamos a realização dos Encontros “Bate Bate Coração” onde pretendemos, em ambiente informal, promover a partilha de informação entre profissionais de saúde, doentes e público interessado sobre temas relacionados com as arritmias e sobre a própria campanha. Estão já marcados Encontros a 27 de Março (Coimbra) e 3 de Abril (Porto).
Visite o site www.batebatecoracao.com para estar a par das novidades e participe nas iniciativas.
Dr. Carlos Morais
Coordenador Nacional da Campanha
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A importância das arritmias cardíacas relaciona-se com a sua elevada prevalência e com as suas consequência clínicas e epidemiológicas. A forma de apresentação clínica pode ser muito variável, desde assintomático ou apenas sensação de batimento cardíaco anormal - palpitações - até situações de perca de conhecimento - síncope -, ou mesmo paragem cardio-respiratória, no caso de disritmias malignas.
As arritmias podem ocorrer isoladamente ou ser manifestação de doença cardíaca subjacente. Assim, é sempre fundamental identificar e tratar adequadamente eventual cardiopatia presente, por exemplo no caso da cardiopatia isquémica coronária em situações de disritmias ventriculares. As estratégias terapêuticas sofreram evolução muito significativa nos últimos anos, ocorrendo uma mudança da opção farmacológica para as chamadas terapêuticas não-farmacológicas, incluindo a ablação por cateter e o recurso a dispositivos implantados: pacemakers ou cardioversores-desfibrilhadores.
A ablação por cateter consiste na destruição do foco de origem ou de porção crítica do circuito de uma disritmia, através da aplicação de formas de energia (habitualmente é utilizada a energia de radiofrequência). Este tratamento é efectuado no decurso de um Exame Electrofisiológico, sendo os cateteres, ou sondas, introduzidos percutâneamente, sob anestesia geral na região inguinal. A ablação por cateter é hoje em dia o tratamento "curativo" de primeira linha de várias taquiarritmias, nomeadamente em taquicardias paroxísticas supra-ventriculares ou no flutter auricular. Tem assumido importância crescente no tratamento da fibrilhação auricular (sobretudo nas formas paroxísticas ou persistentes) e em algumas disritmias ventriculares.
Os dispositivos implantáveis incluem os pacemakers e os cardioversores desfibrilhadores. Os pacemakers são utilizados no tratamento das bradiarritmias, mais frequentemente em casos de disfunção do nódulo sinusal ou de bloqueio aurículo-ventricular. A taxa de implantação anual por milhão de habitantes é semelhante a outros países europeus. Os Cardioversores-Desfibrilhadores são utilizados em doentes com risco de sofrerem uma disritmia ventricular maligna, quer naqueles que sobreviveram a um episódio prévio de arritmia ventricular grave ou de paragem cardíaca (profilaxia secundária), quer nos considerados em risco elevado de sofrerem uma arritmia grave (profilaxia primária, incluindo na maioria doentes com função miocárdica gravemente deprimida, com fracção de ejecção inferior a 30-35%). Recentemente foi também introduzida a possibilidade de tratar situações de insuficiência cardíaca através da implantação de dispositivos de pacing, com ressincronização da contracção cardíaca através da estimulação auricular e dos dois ventrículos (pacing bi-ventricular, também com a possibilidade de acoplamento a Cardioversor-Desfibrilhador). Nas figuras seguintes apresentam-se gráficos de comparação dos recursos médicos e das taxas de implantação de dispositivos e de terapêutica ablativa em Portugal e noutros 5 países europeus: Alemanha, Itália, França, Inglaterra e Espanha, obtidos a partir do "White Book da European Heart Rhythm Association".
Dr. João de Sousa
   
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