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Várias doenças ou alterações no coração podem conduzir a uma perturbação no ritmo cardíaco. Esta perturbação pode ocorrer sob a forma de um ritmo excessivamente lento, da ausência ocasional de um ou mais batimentos ou de um número excessivo de batimentos rápidos por minuto.
Uma arritmia é um problema relacionado com o ritmo dos batimentos cardíacos. Se o ritmo cardíaco for demasiado lento (inferior a 50/60 batimentos por minuto), é designado como bradicardia, se por outro lado o coração bater de forma muito rápida (mais de 100 batimentos por minuto), estamos perante uma taquicardia. Quando existe um impedimento à normal progressão dos estímulos cardíacos dentro do coração estamos em presença de um bloqueio que em certas
situações pode levar à falta de um ou mais batimentos cardíacos.
Em qualquer uma destas situações, quando o coração bate de forma irregular, o bombeamento de sangue para as várias partes do corpo, pode não ser conseguido, colocando em perigo órgãos vitais como o cérebro, os pulmões, entre outros.
Por outro lado, as arritmias podem estar localizadas nas aurículas ou nos ventrículos do coração.
A fibrilhação auricular é a arritmia cardíaca mais frequente e caracteriza-se por ser um batimento irregular nas aurículas. As pessoas com fibrilhação auricular têm um batimento das aurículas várias vezes superior ao do resto do coração, o que leva a uma corrente sanguínea irregular e à formação ocasional de coágulos sanguíneos, que podem viajar até ao cérebro.
A sua prevalência aumenta com a idade, sendo maior nos doentes com insuficiência cardíaca ou doença valvular cardíaca. Estima-se que a sua prevalência é de 0.4% da população global e de 10 a 20% da população idosa. É a causa mais frequente de internamento hospitalar por pertubações do ritmo cardíaco e a mortalidade nos indíviduos com fibrilhação auricular é cerca do dobro da dos indivíduos com ritmo sinusal normal. A presença de fibrilhação auricular está também ligada à ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
A fibrilhação ventricular é uma situação patológica caracterizada no ECG por um traçado irregular, de amplitude variada e ondas grosseiras. O prognóstico é muito mais grave do que na fibrilhação auricular já que a contracção dos ventrículos é ineficaz levando à morte em poucos segundos se não for rapidamente corrigida. É responsável por 90% das paragens cardio-respiratórias em ambiente extra-hospitalar.
O que causa uma arritmia?
Uma arritmia pode ocorrer sempre que o sinal eléctrico que controla o batimento cardíaco é atrasado ou bloqueado. Isto acontece por exemplo quando o centro de controlo que produz estes sinais não funciona correctamente, ou quando o sinal eléctrico não faz o seu percurso normal. Há ainda uma outra forma de arritmia, que ocorre sempre que uma outra parte do coração começa a produzir sinais eléctricos, para além dos já produzidos pelo nódulo sinusal.
Fumar, stress, bebidas alcoólicas, vida sedentária, drogas, toma incorrecta de alguns medicamentos, e excesso de cafeína podem causar arritmias em algumas pessoas.
Por outro lado, são normalmente os enfartes, a hipertensão, as doenças das artérias coronárias, a diabetes bem como o hipo e hipertiroidismo os principais factores de risco das arritmias cardíacas.
Qual a população de risco?
As arritmias mais sérias surgem com mais frequência nos adultos a partir dos 60 anos. Isto porque os adultos com esta idade são particularmente afectados por uma série de doenças cardiovasculares e até por outras doenças que são propícias ao aparecimento de arritmias.
Quais são os sinais ou sintomas das arritmias?
Palpitações, batimento cardíaco muito rápido ou muito lento (irregular), fadiga, vertigens, tonturas, transpiração irregular, cansaço, falta de ar, dor de peito e ansiedade são alguns dos sintomas que podem esta associados a arritmias. Outras manifestações mais graves são a síncope (perda súbita dos sentidos) ou até a morte súbita.
Diagnóstico das arritmias
O exame mais usual para diagnosticar as arritmias é o electrocardiograma. Este é um teste relativamente simples, que detecta e regista a actividade eléctrica do coração. O electrocardiograma mostra com precisão a frequência dos batimentos cardíacos, a sua regularidade ou irregularidade, ao mesmo tempo que fornece informação sobre a força e o timing dos sinais eléctricos, bem como a forma como efectuam a trajectória eléctrica pelas várias cavidades do coração.
Para além do ECG são instrumentos fundamentais de diagnóstico a história familiar e o exame físico.
O diagnóstico preciso e a orientação terapêutica adequada das arritmias cardíacas frequentemente exige o recurso a outros exames complementares (análises, ecocardiografia, Holter, teste de Tilt etc.) que devem ser orientados por um médico especialista nesta área das doenças cardiovasculares.
Sabe qual é a principal causa de morte súbita?
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